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Histórias de Pescador

A Bruxa e o bebê

Há muitos anos atrás, como em muitos lugares, a maioria dos habitantes da Lagoinha tinham suas casas feitas de barro e bambu, e o telhado eram antigas telhas, grandes e caídas, que hoje já não mais encontradas, não ao menos por aqui. A vizinhança era escassa. E não se sabe o porquê (ao menos os nativos não sabem dizer), mas crianças pequenas atraíam as bruxas.

Um casal tinha um bebê que durante o dia era uma tranqüila criança, mas durante a noite chorava muito. Os pais lhe preparavam chás, embalavam o bebê, cantarolavam, mas nada acalmava o mesmo. Amanhecia o dia, o bebê cessava o choro. Com o passar dos dias passaram a notar que algumas manchas roxas começaram a surgir na criança. Intrigado, certa noite, o pai que tinha sua crença e respeito pelas bruxas resolveu ficar de vigia. Lá pelas tantas da noite, viu uma pluma descendo por meio de um vão entre as telhas. Como já possuía sua suspeita, havia deixado um baú com correntes pronto e foi onde colocou a pluma. Na manhã seguinte, escutavam ruídos vindos do baú e ao abrir, lá se encontrava a madrinha do bebê, que todas as noites vinha perturbar o sono da criança.

A negociação dos peixes

O peixe é negociado na praia por um único pescador que representa os 45 pescadores da comunidade da Lagoinha, sendo vendido o “cento de tainha” e o seu valor é dado por lance, como num leilão, chegando a custar até R$ 800,00 o cento dependendo do tamanho dos peixes. Toda a comunidade atua no cerco da tainha, assim como aquelas pessoas que estiverem freqüentando a praia no momento da retirada da rede, pois é de fundamental importância a velocidade com que a mesma é puxada do mar, para evitar maior perda de peixes. E quando se captura grande quantidade, é dada pelo menos uma tainha para cada participante.

O pescador, o punhal e a feiticeira

Como a ilha era conhecida por ser casa de muitas bruxas e feiticeiras, os moradores mantinham suas crenças para explicar certos acontecimentos estranhos e o respeito por estes “seres da magia”.

Contam os antigos da Lagoinha que um dia um pescador foi até o extremo da Ponta do Rapa, próximo às “las brancas” como é conhecida certa laje de pedras no local pescar. Era uma noite escura, o pescador estava só, e levava consigo além do que ia utilizar para a pesca, um punhal pois como dizia o costume, servia para espantar as bruxas. Lá estava ele sentado sobre uma pedra, atento e paciente como um bom pescador, rodeado pelos ruídos do mar e da mata, quando escuta um grito “empurra”. Olha para os lados, não vê nada, pensa que foi sua imaginação e não dá bola. Alguns instantes depois, outro grito rompe o ar “empurra ele”... Assusta-se, seus olhos buscam pela escuridão, mas novamente nada enxerga e nada de estranho percebe. Uma vez mais retoma sua pescaria... e escuta o grito “empurra ele da pedra”, assustado escuta novo grito em resposta ao anterior “não dá, ele tem um punhal”. Por estas e outras, andavam sempre protegidos.

A chegada das tainhas na Praia da Lagoinha

Hoje, para a alegria dos pescadores, começaram a chegar as primeiras tainhas da temporada. Foram pescados aproximadamente 250 kg de tainha na Praia da Lagoinha, ocasionando uma grande expectativa na comunidade local.

Veja as fotos deste primeiro espetáculo na Galeria de Fotos da Trilha da Tainha e venha curtir ao vivo os próximos na Pousada da Vigia.

Ilha da Magia

O nome Ilha da Magia, tão associado à Florianópolis por suas belezas únicas, seu encanto que conquista quem por aqui passa, na verdade, de acordo com os antigos locais, se dá pela ilha em seu passado ter sido reduto de bruxas e feiticeiras. E são muitas as histórias que remetem a acontecimentos ligados a essas personagens que por aqui viviam...

Diziam os antigos que em família que possui 07 filhas, a primeira ou a última era uma bruxa e em casa de 06 filhos, o primeiro ou sexto era lobisomem.

Toda bruxa pode ser reconhecida porque possui um dente no céu da boca.

Na praia Brava existe até hoje a “Toca da Sundara ou Sunsara”, local onde morava uma bruxa popular entre o pessoal da região. Esta toca fica no canto esquerdo da praia, conhecido como “Canto do Repuxo” e o canto direito é chamado de “Canto da Feiticeira”.

Os Vigias

Os vigias ficam diariamente durante os 02 meses de pesca se revezando em turnos de 12 horas – 06 às 18 h ou também em noites claras de lua cheia – em pontos estratégicos, sendo que um deles está ao lado da Pousada, por isso da escolha do nome, pelo seu fundador Julio Perna, POUSADA DA VIGIA. A observação do cardume se dá através do atento olhar destes homens do mar aos saltos dos peixes; ao distinto movimento das águas quando o cardume está passando ou, ainda, quando a grande quantidade de peixes forma uma mancha escura na água. Quando o vigia avista o cardume, ele dá o “alarme”, que é um apito e abanos de uma camisa, tecido ou qualquer objeto em mãos que os pescadores da praia possam enxergar. Dado o alarme, em poucos minutos as canoas estão na água e a rede é lançada de acordo com as instruções do vigia. Mesmo estando 03 ou 04 vigias no turno, apenas um “comanda” o cerco para que não haja erro, pois um simples erro pode levar a perder toda uma safra de tainha durante os dois meses. Isso por que um cardume pode vir a ter até 20.000/ 30.000 peixes, ou aprox. 40 a 50 toneladas.

Dada a experiência dos vigias e pescadores, eles sabem calcular pelo tamanho da mancha na água qual a quantidade aproximada de peixes.

Fonte: Gilberto Coelho, o Beto, pescador nativo e colaborador da Pousada da Vigia.

O lance das 300.000 tainhas

Contam os antigos locais, e os jovens se encarregam de escutar e manter viva a história, que na praia da Lagoinha, a mais ou menos 100 anos, de um único lance foram capturadas aproximadamente 300.000 tainhas, ou algo como 700 toneladas. Nunca se repetiu tamanha fartura e também tamanha tristeza.

Tudo começou quando num dia de pesca, uma mulher se aproximou e pediu aos pescadores que lhe dessem uma tainha. Eles negaram dizendo que a pesca do dia não havia sido boa. A mulher então rogou lhes uma benção e que também seria uma praga: “tomara que vocês cerquem tantas tainhas de uma vez que não consigam tirar o peixe da praia”.

E assim aconteceu. O grande cardume foi cercado e a alegria por tantos peixes foi geral. Mas naquela época não havia acesso de caminhões ou carros na Lagoinha e os pescadores levaram o que conseguiram de barco até o mercado ou a cavalo para outros pontos da ilha e o restante, abriram tainha por tainha, tiraram as ovas que eram mais fáceis de ser transportadas e cavaram com pás uma grande vala na areia da praia onde toneladas e toneladas de tainhas foram enterradas.

Fonte: Gilberto Coelho, o Beto, pescador nativo e colaborador da Pousada da Vigia.

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